Elton John e James Taylor concluem turnê no Brasil

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Inesquecível, memorável. James Taylor e Elton John encerraram a turnê conjunta pelo Brasil na noite desta quinta-feira (6) com um show inesquecível em São Paulo, depois de passar por outras três capitais: Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro. A turnê fica marcada pelo encanto e também pela forte chuva que caiu na noite.

Os cantores e compositores veteranos, que se consagraram na década de 1970, proporcionaram ao público paulistano uma noite repleta de baladas românticas, folk e rock, tudo com grandes doses de nostalgia. Segundo a organização, o espetáculo foi visto por 45 mil pessoas.

A primeira parte do show teve inicio com James Taylor.

O norte-americano Taylor, agora com 68 anos, entrou em cena às 20h, com o tempo ainda limpo. O músico se consagrou com canções pop carregadas por uma levada folk; embora as melodias se mostrassem gentis, as tristes letras têm foco em dramas pessoais, tratando de relacionamentos complicados e até dos efeitos do abuso de drogas. Um show de James Taylor equivale a trazer um velho amigo para a sala de estar. Ele vai aparecer sorridente, carregando o violão e, assim, o clima intimista e confortável será instalado. Mesmo em um local grande como o Allianz Parque, o efeito foi esse. A simpatia de Taylor é infinita.

A simpatia de Taylor é infinita.

O artista deu uma geral na carreira, tocando alguns dos maiores sucessos, mas também colocou no meio do setlist inúmeras obscuridades. O músico abriu com “Up on The Roof”, canção da amiga Carole King (ao lado do eterno parceiro, Gerry Goffin, que foi marido dela e que morreu em 2014). Ele leu em um caderninho, mostrando um português bem decente: “Eu quebrei o dedo e infelizmente não vou poder tocar guitarra. O [guitarrista] Dean Parks será eu por hoje”. Assim, Taylor cantou sentando em um banquinho, embora às vezes levantasse para dançar de forma desajeitada, mas bem espontânea. Ele seguiu com a jazzy “Everyday”, cover de Buddy Holly que gravou com sucesso em 1985. “Wandering”, canção de Gorilla, álbum de 1975, foi a próxima.

Depois de uma pausa, John subiu ao palco exatamente às 22h. O cantor e pianista inglês, que recentemente completou 70 anos, mesclou um pouco de cada época, embora a ênfase, como de costume, tenha sido no material dos anos 1970. O cantor já chegou acelerado com o balanço dos rocks “The Bitch is Back” e “Bennie and The Jets”. Depois, desacelerou com uma sequência de baladas que incluiu “I Guess That’s Why They Call It The Blues”, “Daniel” e a confessional “Someone Saved My Life Tonight”.

“Philadelphia Freedom”, canção de 1975, um tributo do músico à soul music norte-americana, deu prosseguimento à apresentação. Infelizmente, foi neste momento que a chuva começou a cair no Allianz. Foi um verdadeiro dilúvio que não arrefeceu um só momento até o final do show. Muita gente que estava na pista, mesmo protegida com capa de chuva, jogou a toalha e acabou indo embora mais cedo.

MRossi/Divulgação – Inesquecível.

Depois de um solo de piano, John executou “Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)” e o final foi estendido, com a banda do cantor mostrando toda sua versatilidade. As cultuadas “Levon” e “Tiny Dancer”, faixas do começo dos anos 1970, vieram a seguir. Então, John cantou “Goodbye Yellow Brick Road”, faixa que batizou o lendário LP duplo que lançou em 1973. Ele voltou no tempo novamente com a sempre memorável “Your Song” e com “Burn Down The Mission”, balada country lançada em 1970 no álbum Tumbleweed Connection. O pique depois ficou agitado com “Sad Songs (Say so Much)”, hit de 1984.

“Skyline Pidgeon”, que foi hit apenas no Brasil em 1972, é outra música que John toca especialmente para os fãs do nosso país quando se apresenta por aqui. Ele e George Michael, que eram grandes amigos em 1991, gravaram juntos, com muito sucesso, uma versão ao vivo de “Don’t Let The Sun Go Down on Me”, canção do álbum Caribou que também já havia obtido êxito com o próprio John em 1974. Foi o momento oportuno para Elton John homenagear Michael, que morreu em dezembro do ano passado.

Em fevereiro de 2016, o britânico lançou o agitado álbum Wonderful Crazy Night. “Looking Up”, single retirado do trabalho, foi a próxima a ser executada no show de São Paulo. Ele, então, voltou à década de 1980 com o sucesso “I’m Still Standing”. E assim como fez no começo, encerrou a parte principal da apresentação com pique e energia, tocando “Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘N’ Roll)” e “Saturday Night’s Alright for Fighting”, ambas de Goodbye Yellow Brick Road.

“Muito obrigado São Paulo, valeu, apesar da chuva’. Com estas palavras, o artista voltou para o bis trazendo “Candle in The Wind”, canção de Goodbye Yellow Brick Road que originalmente era uma homenagem a Marilyn Monroe, e que depois se transformou em tributo à Princesa Diana, amiga do músico. Para encerrar realmente os trabalhos, ele mandou ver no balanço retrô “Crocodile Rock”. Por volta da meia-noite, quando a cidade de São Paulo já estava embaixo d’água, Elton John deixou o palco.

Reportagem Paulo Cavalcanti

Matéria e imagens Publicadas por Revista Rolling Stone

Edição Fabio Del Porto

 

 

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