ASTRÔNOMOS ANALISAM GALÁXIA A 12,4 BILHÕES DE ANOS-LUZ QUE TEM RITMO INTENSO DE CRIAÇÃO DE ESTRELAS

COSMOS-AzTEC-1 é uma pista para entender como funcionam os gases das galáxias que têm uma produção forte estelar. O estudo foi publicado na revista 'Nature'.

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Concepção artísitca da supergaláxia COSMOS-AzTEC-1 (Foto: Observatório Nacional Astronômico do Japão)

Uma equipe de astrônomos do Japão, México e Estados Unidos está estudando uma galáxia localizada a 12,4 bilhões de anos-luz da Terra. Eles usaram instrumentos com uma resolução 10 vezes maior do que os já utilizados antes e revelaram detalhes estruturais inéditos. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (29) na revista científica “Nature”.

A galáxia se chama COSMOS-AzTEC-1. E o que sabemos sobre ela?

  • Ela é uma starburst galaxy. Esses nomes foram escolhidos para mostrar que elas têm uma produção mais intensa de estrelas do que as galáxias típicas espirais, como a Via Láctea;
  • Os cientistas acreditam que as galáxias como a COSMOS-AzTEC-1 são anteriores às galáxias como a nossa;
  • Uma starbust galaxy pode ter um ritmo até mil vezes maior na formação de estrelas do que uma galáxia típica espiral. Elas têm gás para produzir estrelas desenfreadamente, mas, depois que ele acaba, sobram só estrelas frias formando galáxias gigantes;
  • Elas podem ser maiores que as galáxias tradicionais, mas não necessariamente.

O grupo de pesquisadores está estudando a COSMOS-AzTEC-1 para tentar entender os motivos de ela ser tão ativa. Ela foi descoberta pela primeira vez pelo telescópio James Clerk Maxwell, localizado no Havaí. Em sequência, o Grande Telescópio Milimétrico (LMT), do México, achou uma grande quantidade de monóxido de carbono. Foi, então, que descobriram essa supercapacidade de explosão para criação de estrelas.

Só depois que os cientistas japoneses se envolveram no projeto. Eles queriam descobrir mais sobre a natureza do gás. Usaram o modo de alta resolução do instrumento ALMA para obter mais detalhes sobre o movimento e as explosões.

“Descobrimos que existem duas grandes nuvens de gás diferentes a milheres de anos-luz do centro da galáxia” disse o principal autor do estudo, Ken-ichi Tadaki, da Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência e do Observatório Nacional do Japão.

“Nas galáxias com formação de estrelas mais distantes, as estrelas são formadas mais no centro. É surpreendente encontrar nuvens descentralizadas”, disse.

  • Os astrônomos investigaram a natureza do gás da COSMOS-AzTEC-1 e descobriram que é muito instável, o que é incomum. Geralmente a gravidade da galáxia – uma força para dentro – é equilibrada com a pressão exercida para fora. Quando a gravidade supera a pressão, a nuvem de gás entra em colapso e passa a formar estrelas. As estrelas formadas e as explosões de supernovas aumentam a pressão, criando um estado de equilíbrio novamente. A formação das estrelas fica autorregulada, e continua em ritmo moderado.

O que chama atenção na COSMOS-AzTEC-1 é que a pressão é muito mais fraca que a gravidade, o que faz com que essa autorregulação seja difícil de acontecer. Ela é uma galáxia que fica permanentemente produzindo estrelas.

De acordo com os pesquisadores, o gás será completamente consumido em 100 milhões de anos, tempo 10 vezes mais rápido que em outras galáxias. Isso tem a ver com o ritmo acelerado de produção.

*colaborou nesta reportagem o colunista do G1, Cassio Barbosa.

fonte:g1.globo.com

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